Um site acessível é um site que qualquer pessoa consegue usar: quem vê mal, quem não usa rato, quem usa um leitor de ecrã, quem tem dificuldades cognitivas, ou simplesmente quem está a ler ao sol no telemóvel. Em Portugal, para muitas entidades, deixou de ser boa vontade e passou a ser obrigação legal.
Este guia explica quem é obrigado, o que a lei pede e como verificar o seu site. Não substitui aconselhamento jurídico, mas dá-lhe um ponto de partida claro.
Quem é obrigado a ter um site acessível
Setor público: Decreto-Lei n.º 83/2018
Transpõe a diretiva europeia sobre a acessibilidade dos sites e aplicações móveis dos organismos públicos (Diretiva (UE) 2016/2102). Abrange, entre outros:
- a administração central do Estado e os institutos públicos;
- as autarquias locais: municípios e freguesias;
- as escolas e agrupamentos de escolas públicos;
- outras entidades de direito público.
O que exige:
- cumprir as WCAG 2.1 de nível AA (através da norma europeia EN 301 549);
- publicar uma Declaração de Acessibilidade e Usabilidade, com o estado de conformidade e os conteúdos ainda não acessíveis;
- disponibilizar um contacto para as pessoas reportarem problemas ou pedirem conteúdos num formato acessível.
A Agência para a Modernização Administrativa (AMA) acompanha o cumprimento e disponibiliza modelos e ferramentas em acessibilidade.gov.pt.
Empresas privadas: o Ato Europeu da Acessibilidade
O Ato Europeu da Acessibilidade (Diretiva (UE) 2019/882), transposto pelo Decreto-Lei n.º 82/2022, aplica-se desde 28 de junho de 2025 a vários produtos e serviços para consumidores, entre eles:
- comércio eletrónico (lojas online e serviços vendidos online);
- serviços bancários para consumidores;
- livros eletrónicos;
- serviços de transporte de passageiros (sites, apps e bilhética);
- comunicações eletrónicas.
As microempresas que prestam serviços (menos de 10 trabalhadores e volume de negócios ou balanço anual até 2 milhões de euros) estão isentas. Há também períodos de transição para alguns contratos e equipamentos já existentes.
E os outros sites?
Um site institucional de uma empresa privada, de uma escola profissional privada ou de uma associação pode não estar abrangido por estas leis. Mas a acessibilidade continua a valer a pena:
- mais pessoas conseguem ler e contactar;
- muitos critérios de acessibilidade são os mesmos que o Google valoriza (estrutura de títulos, textos alternativos, velocidade, versão móvel);
- se um dia trabalhar com entidades públicas ou vender online, já está preparado.
O que verificar: a checklist essencial
As WCAG têm dezenas de critérios. Estes são os que resolvem a maior parte dos problemas reais:
- Contraste: pelo menos 4,5:1 para texto normal e 3:1 para texto grande.
- Texto alternativo em todas as imagens com significado; imagens decorativas com alt vazio.
- Teclado: tudo funciona só com o teclado, e o foco é sempre visível.
- Títulos numa hierarquia lógica (um H1, depois H2, H3…).
- Formulários com rótulos visíveis e mensagens de erro que digam o que corrigir.
- Vídeos com legendas e, quando necessário, transcrição.
- Cor nunca é a única forma de transmitir informação.
- Zoom a 200% sem perder conteúdo nem obrigar a deslocar na horizontal.
- Movimento: animações automáticas podem ser pausadas, e o site respeita a preferência de reduzir movimento.
- Documentos: PDFs acessíveis ou o mesmo conteúdo em página web.
- Idioma da página declarado no código.
Como testar o seu site
- Validadores automáticos. O AccessMonitor da AMA, o WAVE ou o Lighthouse do Chrome encontram rapidamente os erros mais comuns. Só apanham parte dos problemas, por isso são o início e não o fim.
- Teste com teclado. Desligue o rato e percorra o site com Tab, Enter e as setas. Consegue chegar a tudo? Vê sempre onde está?
- Teste com leitor de ecrã. O NVDA (Windows, gratuito) e o VoiceOver (Mac e iPhone) mostram se os títulos, ligações e formulários fazem sentido sem os ver.
- Teste com pessoas. Nada substitui ver alguém com uma deficiência a usar o site.
A declaração de acessibilidade
Para as entidades públicas, a declaração é obrigatória e deve estar ligada em todas as páginas (normalmente no rodapé). A AMA disponibiliza um gerador e um modelo. Deve refletir a realidade: indicar o que já cumpre, o que ainda não cumpre e quando prevê corrigir.
Existe ainda o Selo de Usabilidade e Acessibilidade, de adesão voluntária, que reconhece os sites que vão além do mínimo.
Acessibilidade não é um plugin
As barras de acessibilidade que aumentam a letra ou invertem cores prometem conformidade instantânea, mas não corrigem o essencial: imagens sem descrição, botões sem nome, formulários impossíveis de preencher por teclado. A acessibilidade resolve-se na estrutura, no código e nos conteúdos, de preferência desde o início do projeto.
É assim que construímos os sites da Hyperlink, incluindo este: contraste verificado, navegação completa por teclado, foco visível e animações que param para quem pede menos movimento. Se o seu site precisa de cumprir o DL 83/2018 ou o Ato Europeu da Acessibilidade, fale connosco: fazemos a auditoria, as correções e a declaração. Veja também o que o site da sua empresa tem de ter por lei.
Perguntas frequentes
As escolas e as juntas de freguesia são obrigadas a ter sites acessíveis?
Sim, quando são entidades públicas. O Decreto-Lei n.º 83/2018 aplica-se aos sites e aplicações móveis dos organismos do setor público, incluindo autarquias, freguesias e escolas públicas, que devem cumprir as WCAG 2.1 de nível AA e publicar uma Declaração de Acessibilidade e Usabilidade.
A minha loja online tem de ser acessível?
Desde 28 de junho de 2025, o Ato Europeu da Acessibilidade (transposto pelo Decreto-Lei n.º 82/2022) aplica-se ao comércio eletrónico dirigido a consumidores. As microempresas que prestam serviços, com menos de 10 trabalhadores e volume de negócios ou balanço anual até 2 milhões de euros, estão isentas.
Que nível das WCAG devo cumprir?
O nível AA das WCAG 2.1 é a referência legal na União Europeia, através da norma europeia EN 301 549. Cumprir também as WCAG 2.2 é boa prática e prepara o site para futuras revisões.
Um plugin de acessibilidade resolve o problema?
Não. As barras e plugins que aumentam letra ou mudam contrastes não corrigem os problemas de base, como imagens sem texto alternativo, formulários sem rótulos ou navegação impossível por teclado. A acessibilidade resolve-se no código e no conteúdo.



